terça-feira, 30 de setembro de 2008

POR UMA IGREJA PÓSMODERNA

Graça e Paz!
Recebi esse artigo bastante interessante do Pastor Miguel e gostaria de compartilhar com todos.
Abraços fraternos, Irmã Sônia.

POR UMA IGREJA PÓSMODERNA 1a.Parte
Falar da igreja evangélica não é uma tarefa das mais fáceis, em razão da complexidade estrutural do mundo evangélico. A formação do protestantismo de missões e o surgimento do movimento pentecostal, no fim do século passado e início do século XX, e ainda o surgimento do movimento carismático e de comunidades evangélicas nas últimas décadas, como também um grande número de organizações evangélicas desvinculadas das igrejas tradicionais, fez da igreja evangélica um estrato social de difíceis contornos para uma clara definição .
Isto posto, queremos somente delinear o nosso objeto de reflexão, limitando a identificação “evangélico” às denominações históricas tradicionais que resultam do movimento missionário do século passado, vindo dos Estados Unidos e da Europa para o Brasil, e também às denominações do movimento pentecostal e carismático que tiveram, de certa forma, origem no Brasil dentro de suas denominações históricas e conservaram os aspectos básicos de sua eclesiologia e as doutrinas principais. Excluímos os movimentos neo-pentecostais ou o “pentecostalismo autônomo ”
Diante desta igreja evangélica brasileira, indicamos agora que meu propósito é levar o leitor a pensar no desafio do terceiro milênio que estamos vivendo. A igreja evangélica brasileira deve lançar um olhar para o futuro, mas esse olhar não deve ser exclusivamente um “olhar escatológico” na tentativa de visualizarmos mais próxima a vinda do Senhor . Temos de objetivar uma reflexão para o exercício de um ministério eficaz, em que a pregação do evangelho seja de fato uma real encarnação do evangelho e do amor de Deus, e não um mero discurso . Temos de decidir, hoje, o início da transformação da igreja , para que amanhã ela não se constitua um museu religioso e perca sua mensagem profética do evangelho .

ONDE ESTAMOS POR CAUSA DO PASSADO

Sem dúvida, a chegada e a inserção do evangelho trazido pelos missionários protestantes no século passado ocorreram num momento histórico e social propício dentro do contexto brasileiro .De fato, talvez não poderia haver momento melhor. No entanto, houve uma acomodação e não se aceitaram os desafios que a sociedade brasileira e sua evolução exigiam. Por isso, verificou-se um descompasso com a realidade (o que é sentido ainda hoje ), em termos de resposta às questões que a sociedade sofre e quanto às soluções que busca para seus problemas. A construção da igreja evangélica ficou atrelada as formas do passado. As mudanças exigidas pela sociedade em desenvolvimento vieram acontecer sempre tardiamente quando novas mudanças eram exigidas.
Tal foi a tônica marcante de mais de um século de existência da igreja evangélica no Brasil. Ela não conseguia mostrar a eficácia de sua fé , pois as questões que os membros locais sofriam no cotidiano geralmente eram tratadas de forma anacrônica, com as soluções do passado servindo para todas as épocas , de maneira descontextualizada. Isso porque os pensadores brasileiros não podiam efetivar uma fé “autóctone” , uma cosmovisão que fosse bíblica e com “cheiro caboclo ”.Essa ausência gerou uma falta de criatividade ético-teológico-pastoral, como também revelou a carência de uma visão proléptica . Não havia uma reflexão diante das grandes mudanças sociais, políticas e culturais, que deveria ter preparado a igreja nos aspectos éticos, sociais e econômicos pelos quais ela foi questionada. A igreja no seu discurso se limitou a defender a fé apologeticamente produzindo um discurso de guerra mas não de transformação da sociedade. Dessa forma criou sua redoma na qual observava as crises da sociedade desenvolvendo uma nova marca no seu discurso que caracterizou os anos 80: o apocalipse estava às portas do seu cumprimento. Deve ser lembrado que no ano de 1982 se pregava a respeito do alinhamento dos planetas que segundo os “profetas de plantão”fariam desaparecer r grande parte das cidades do Rio de Janeiro e Santos.
Eis, então, o que nos preocupa em relação ao terceiro milênio e nos motiva a escrever este artigo: a igreja precisa sempre estar preparada para o futuro. Ela não precisa olhar para suas raízes e repetir a história. As raízes foram lançadas cabe agora produzir os frutos como os irmãos do passado o fizeram dentro do seu contexto político-social. A igreja é viva para construir a história tendo como modelos os nosso irmãos do livro de Atos e também aqueles chegaram no Brasil trazendo o evangelho que modificou não somente a teologia da época mas também a educação, o livre pensar, o sistema político. Pode-se discordar das suas formas e alianças, mas não se pode negar a história de impacto
Gostaríamos de apresentar algumas características da igreja evangélica no Brasil , traços que nos últimos tempos vêm marcando sua vida . Queremos lembrar que estamos tratando a igreja num aspecto amplo , e não em níveis locais ou particulares, e ao mesmo tempo já nos conscientizamos da complexidade desse “ movimento evangélico” . Ademais, na linguagem do sociólogo religioso Roger Bastide, existem alguns “brasis” dentro deste grande Brasil, transformando-o numa terra de contraste.

Doutrina Rígida porém Passiva na Justiça Profética

Descobertos os escândalos sexuais, observam-se problemas noutros níveis : facções , inimizades , atos inquisitoriais , “pressões políticas” , divisão e competição no Corpo de Cristo, idolatria ministerial e denominacional , materialismo , passividade diante das injustiças e opressões dos órfãos , viúvas, estrangeiros , pobres , deficientes. Além disso, havia uma imobilidade diante do avanço do satanismo, do sacrifício de crianças — em termos de magia negra e dos grupos exterminadores — do ocultismo etc. George Verwer, fundador da Operação Mobilização , indica que , se a doutrina não inclui amor , humildade e quebrantamento , então ela não é sã . Aponta ainda que a praga de hoje é a ortodoxia sem amor, a ortodoxia sem poder, a ortodoxia sem a vida de nosso Senhor Jesus Cristo. O que queremos mostrar é que não desprezamos uma doutrina que seja bíblica, rotundamente não, mas que a ortodoxia é compatível com a ortopraxia , sendo , confirmada e vivenciada dentro dela . Não podemos negar que a igreja , lamentavelmente, vive uma crise de integridade, mas esta não está limitada ao contexto da questões da sexualidade. Este é o discurso marcante do protestantismo evangélico. Mas o discurso profético foi espiritualizado por uma prática de declarações espiritualizadas que nada tem a ver com aquilo que os profetas do Antigo Testamento proclamavam

Polarização Teológica

.Fruto do questionamento da sociedade , ou ainda das classes menos favorecidas , o povo brasileiro deseja saber, a exemplo do rei Zedequias numa entrevista com o profeta Jeremias : “Há alguma palavra da parte do Senhor ? Respondeu Jeremias: Há... ” (Jr 37:17) . Existem pouquíssimos Jeremias que respondem essa pergunta. Assim , a polarização se dá entre uma igreja “espiritualizada” , com características ascéticas e anacoretas , trazendo uma mensagem desencarnada da realidade brasileira, e outra com uma mensagem de libertação , de revolução social , mas que esquece da natureza pecaminosa do homem , que o leva a agir frontalmente contra a vontade de Deus . Que fazer ? O velho filósofo grego dá uma resposta : “A virtude está no meio ”. Aliás, a Bíblia apresenta esse caminho , de Gênesis a Apocalipse.
A igreja precisa com urgência vencer a polarização teológica , descobrindo que deve ser uma comunidade , ou um organismo vivo , cuja marca precípua é a vida eterna em Jesus Cristo , mas que essa vida deve ser manifestada no mundo . A vida eterna já começou ,aqui e agora, em contraposição às forças e formas desumanizantes que matam : “o ladrão só vem para roubar , matar e destruir ; mas Eu vim para que as ovelhas tenham vida e vida completa” (Jo 10:10) . A igreja é convocada a anunciar essa vida completa e ,assim , desqualificar as forças do ladrão que hoje se têm multiplicado e pluralizado.

Crise “Avivamentalista ”

Realizam-se e ouvem-se debates , encontros , reuniões , cultos e clamores fervorosos em torno da chegada de um avivamento . Devo dizer que não sou , e nunca serei, contra um verdadeiro avivamento nas terras do Cruzeiro do Sul. Mas devemos nos perguntar : qual é o avivamento de que precisamos? Ou ainda, quais são as características que um verdadeiro avivamento deve Ter no Brasil? Sem dúvida, o texto bíblico será apontado como fonte primária de informações, e ainda serão acrescentados exemplos históricos de avivamentos , desde os tempos de Israel até hoje. Haverá lembranças do avivamento do rei Josias; de Elias no monte Carmelo; da igreja no livro de Atos; das igrejas sub-apostólicas; da igreja britânica primitiva, no quinto século; do avivamento dos valdenses, em 1184; do avivamento na Boêmia, 1315 ; da Reforma Protestante do século XVI ; dos Wesleys e do fervoroso início do metodismo , no século XVIII ; do avivamento de Gales , no século XIX ; etc. Tudo isso prova justamente que é possível existir um avivamento !
Entretanto , ao olhar esses avivamentos bíblico-históricos , não podemos esquecer o momento histórico do avivamento . Os avivamentos que aconteceram no passado só serviram para a sua época, seu mundo , sua situação .Por isso, torna-se necessário definir , caracterizar e descobrir o avivamento de que precisamos para este fim de século , sem características anacrônicas. Devemos conhecer o mundo que nos rodeia e pedir ao Deus do avivamento que envie o avivamento de que o Brasil precisa, com suas características e suas particularidades . E, ainda, que nos dê o discernimento para percebermos que este avivamento começou, ou nos ilumine para que vejamos quando começar.
Postado por José Miguel Mendoza Aguilera às Terça-feira, Setembro 16, 2008
Marcadores: batistas, biblia, hstória, igreja, protestantismo, teologia

Um comentário:

Anônimo disse...

parabens pelo post


Abs!
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